Histórias do Ceprosom
Histórias
O trabalho desenvolvido pelo Serviço Social Municipal (SSM) teve início na sede da Prefeitura de Limeira, à época situada na Rua Barão de Cascalho, no Centro. No local, o padre Sebastião Cabral Vasconcelos, Maria Helena Pinto Ramalho e outras três assistentes sociais davam início ao atendimento à população. Com o tempo, houve a necessidade de ampliação do número de profissionais, e Margarida Maria Schizzotti acabou contratada.
A assistente social, que hoje tem 71 anos, prestou concurso para ocupar a vaga e chegou ao SSM em 1971, onde trabalhou por 25 anos até se aposentar. Ela relata que, no início, os trabalhos eram realizados em parceria com o Poder Judiciário, que recebia e repassava verba à população por intermédio das assistentes sociais.
Margarida revela que, no começo, as igrejas ajudavam no atendimento às pessoas. Depois, com a capacitação feita pela Central de Voluntários, várias pessoas já treinadas passaram a atuar diretamente com a população. Era uma linha assistencialista de atendimento imediato. O alicerce da profissão está dentro da igreja; ela dá um salto a partir da Constituição para a garantia de direitos.
Margarida trabalhou e acompanhou a mudança da sede para a Rua Tiradentes, depois para a Rua Capitão Bernardes (antiga Casa da Laranja), para o prédio ao lado do Ginásio Vô Lucatto (onde o Ceprosom funcionou a maior parte do tempo) e, por último, para a sede no Jardim São Manoel. O que mais a marcou foi o trabalho com adolescentes, algo que estava no início com o Clube dos Escovinhas.
A assistente social Sonia Maria Bovi de Oliveira, 56 anos, trabalhou por 32 anos no Ceprosom até se aposentar. Mesmo depois da aposentadoria, retornou à autarquia para ocupar o cargo de assessora da Proteção Social Básica. Sonia é um arquivo vivo da história do Ceprosom. Começou como estagiária no Serviço Social Municipal em 1982 e, com o passar do tempo, ocupou cargos de gestão dentro da autarquia. Ela afirma que, a cada mudança de prefeito, mudava também o presidente do Ceprosom, o que gerava grandes desafios para a equipe.
Um dos trabalhos marcantes foi o processo de desfavelação que ocorreu nos anos 1980, com a transferência dos moradores da região do Ribeirão Tatu, na Boa Vista, para o Profilurb (atual Bairro João Ometto). Tiveram que abrigar as famílias e prepará-las para a mudança. No local não havia nada e nem saneamento básico; por isso, sentiram a necessidade de tirar as famílias de lá. Sonia aproveitou a lei da estabilidade nos anos 1980 e não precisou fazer concurso público para ocupar a vaga de assistente social.
Outra funcionária pública que está chegando a quase três décadas de serviços prestados no Ceprosom é Fátima Aparecida dos Santos, 48 anos. Ela iniciou o trabalho como atendente de guichê, passou a cuidar de crianças e foi convencida a cursar faculdade para se tornar assistente social. Fátima se formou, fez estágio na autarquia e foi aprovada no concurso. Como profissional, trabalhou em creches e centros comunitários até chegar ao cargo de chefe da Divisão de Proteção Social Básica.
Hoje, o grande desafio é coordenar atividades e eventos de grupos relacionados à terceira idade. Um dos trabalhos desenvolvidos com grande repercussão é o projeto da Escola de Samba Unidos da Terceira Idade. A agremiação, formada apenas por pessoas idosas, realizou inúmeras apresentações desde que foi criada há cinco anos. Fátima acredita que hoje existe um mercado mais aberto para profissionais da assistência social atuarem. Os usuários estão mais críticos quanto a direitos e deveres.
A assistente social Vanderleia Aparecida Serrano Diogo trabalha no Ceprosom há 21 anos. Nesse período, viu várias transformações na dinâmica de atendimento na área social. Concursada, Vanderleia começou na autarquia como estagiária e, depois de anos trabalhando em creches e Casa de Convivência, coordenou centros comunitários e projetos sociais até chegar ao cargo de superintendente. Conhecida como Leia, foi uma das pioneiras a trabalhar com crianças e adolescentes no programa chamado Centro de Convivência Infantil (CCI), que, após regulamentação, se tornou o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos.
A servidora, que hoje é chefe da Divisão da Diretoria de Desenvolvimento e Cidadania, relata que o maior desafio foi chegar até as pessoas na periferia décadas atrás. Não existia asfalto em muitos bairros do município, e as visitas eram feitas a pé. Antes era tudo separado; hoje é um trabalho de inclusão, para que a família se sinta valorizada. Tudo mudou.
A partir de 1º de dezembro de 2025, o Ceprosom passou por uma reestruturação e tornou-se uma secretaria municipal, passando a se chamar Secretaria de Promoção Social (Seprosom).