2º Fórum de Saúde Mental de Limeira debate cuidado humanizado e fortalecimento da rede

Evento reuniu profissionais, atendidos e familiares no Teatro Vitória

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2º Fórum de Saúde Mental de Limeira debate cuidado humanizado e fortalecimento da rede


O 2º Fórum de Saúde Mental de Limeira reuniu, nesta segunda (18) e terça-feira (19), profissionais da saúde, atendidos, familiares e representantes do poder público no Teatro Vitória para debater o fortalecimento da rede de atendimento e a humanização do cuidado às pessoas em sofrimento psíquico.

Na abertura do evento, o prefeito Murilo Félix defendeu uma mudança de olhar da sociedade sobre o tema. "É preciso entender que estamos tratando de pessoas e que o atendimento precisa ser humanizado. E fóruns como este são mais do que eventos. São afirmações públicas de que a saúde mental importa", afirmou.

Murilo Félix também citou avanços recentes do município na área: a inauguração do Espaço Família Azul, voltado ao atendimento de crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista,
e a reabertura do Centro de Saúde Mental, que já abriga o Caps AD e a Farmácia de Saúde Mental, e que deve receber até o fim do ano o Caps 3, unidade com funcionamento 24 horas.

Ao abordar os desafios da área, Moisés Baldo Taglietta ressaltou a necessidade de fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial. Segundo ele, o cuidado em saúde mental vai além do tratamento clínico e exige a integração de diferentes políticas públicas. “É preciso outras políticas sociais, além do Caps, pois não podemos deixar que os muros sejam novamente construídos”, frisou.

Já o promotor de Justiça Rafael Augusto Pressuto defendeu a garantia dos direitos das pessoas em sofrimento mental. Ele lembrou que, antes da Reforma Psiquiátrica, muitos pacientes permaneciam isolados da convivência social. “Que esse Fórum seja um espaço de diálogo”, afirmou. O promotor também citou avanços da política municipal de saúde mental, como a criação do Colegiado Gestor de Saúde Mental e da Residência Terapêutica, destinada a ex-residentes de hospitais psiquiátricos.

O evento
O 2º Fórum de Saúde Mental de Limeira é uma iniciativa dos serviços da Rede de Atenção Psicossocial de Limeira (Raps): Caps AD, Caps IJ, Caps 2 e Centro de Terapias Integradas — em parceria com o Fórum Limeirense da Luta Antimanicomial, com apoio das secretarias de Educação e de Cultura, da Escola Legislativa da Câmara Municipal e da oficina de geração de renda DoceMente.
Também compuseram a mesa de abertura do evento, o secretário de Saúde, Alexandre Ferrari, e o secretário de Cultura, Bruno Bortolan.

Vídeo: “Além do Muro”
Os participantes acompanharam a exibição do vídeo “Além do Muro”, produzido por usuários do Caps AD, com coordenação de produção e edição de Bruno Eduardo Caetano da Silva. A cerimônia contou também com exposição de quadros elaborados durante os atendimentos e mostra de itens desenvolvidos nas oficinas de geração de renda.

Ainda participaram do encontro, o secretário de Comunicação da prefeitura, Bruno Cunha, o secretário de Comunicação da Câmara Municipal, Murilo Biagioli (que representou o presidente do Legislativo, Everton Ferreira), a presidente do Conselho Municipal de Saúde e diretora de Vigilância em Saúde, Renata Albertim, a diretora de Atenção Secundária à Saúde, Andresa Barros, a gestora executiva de Atenção Secundária, Mayra Araújo, a coordenadora da Raps, Fernanda Bühl Braga, a articuladora de Saúde Mental, Aline Bonetti, além de coordenadoras e profissionais dos Caps e do Centro de Terapias Integradas.

Palestras
Após a abertura, os participantes acompanharam duas palestras. A psicóloga e especialista em Saúde Mental na Atenção Básica, Silvana Pires de Caroli, relatou o processo de desinternação dos antigos sanatórios da região durante sua atuação no Departamento Regional de Saúde de Piracicaba (DRS-X). Atualmente, a região conta com dez residências terapêuticas destinadas a acolher pessoas antes asiladas — uma delas em Limeira. “Hoje, em nossa região, não há mais nenhuma pessoa morando em hospital psiquiátrico”, afirmou.

Apesar dos avanços, Silvana observou que a Reforma Psiquiátrica ainda não foi concluída no Brasil. “Esse é um processo contínuo de avaliação e transformação”, destacou. Como próximo passo, ela citou a Resolução 487/2023 do Conselho Nacional de Justiça, que institui a Política Antimanicomial do Poder Judiciário e prevê o fechamento dos Hospitais de Custódia e Tratamento Psiquiátrico, priorizando o atendimento de pessoas com transtornos mentais em conflito com a lei pela rede do SUS, como os Caps.

Na sequência, a psicóloga e doutoranda em Saúde Coletiva pela Unicamp, Ana Cristina dos Santos Vangrelino, abordou o papel dos Centros de Convivência e Cooperação (Ceccos) como equipamentos da Raps voltados à promoção da inclusão social de pessoas em sofrimento psíquico e outros grupos em situação de vulnerabilidade. Durante a palestra, ela apresentou a experiência do Cecco Tear das Artes, em Campinas, destacando o espaço como referência em convivência, cultura, educação, geração de renda e participação social.

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